Da Vigia à Silveira com a Mamãe

21/04/2018

Após muita espera no ponto de ônibus, embarcamos em direção ao centro de Garopaba. De lá, caminhamos até a Praia da Vigia, onde começa a sequência de paisagens costeiras. Ao lado esquerdo dessa praia, temos uma oficina lítica - um registro arqueológico dos povos indígenas que habitaram o litoral bem antes da chegada dos Europeus no Novo Mundo. Costeamos um pouco e chegamos a um ponto histórico da trilha. O lugar foi o cenário de um naufrágio que marcou toda a comunidade de Garopaba na década de 60. Hoje é possível mergulhar uns 3 m naquela água de fundo azul esverdeado e ver o que restou da história. O lugar também é o palco de aparição do Caneludo Casqueiro, uma espécie de guardião da Natureza local. Conta-se que o Caneludo assassinava os pescadores e os derrubava dos barcos. A lenda diz que se parecia com um macaco de canelas gigantes. Nesse local também existe a pedra-relógio, uma rocha pontiaguda que projeta uma sombra perfeita no chão e indica com boa precisão as horas do dia. Continuando a trilha, vamos margeando a restinga com suas ervas medicinais e plantas ornamentais- entre elas a lantana, o mijo de grilo, a acariçoba e a Arumbeva- , que tornam a paisagem uma espécie de jardim do Éden à beira-mar, ao lado esquerdo vemos verdadeiras mansões construídas em área de preservação ambiental. Um pouco mais e chegamos no início da trilha fechada por uma incrível Floresta Ombrófila densa acima dos costões rochosos. Essa é uma parte da trilha que fez mamãe lembrar da sua infância na fazenda do Vovô. '' Andar naquela mata e respirar o ar puro me fez lembrar de quando passeava com minhas amigas nas matinhas da fazenda do meu pai, era nossa brincadeira preferida''.

Terminado o trajeto das recordações, conquistamos um espraiado inclinado coberta por vegetação de pastagem de bovinos. Costear aquele morro verdejante e contemplar o espetáculo do Sol refletido naquele monstro que se chocava contra as rochas de granito, era uma sensação nova pra minha Mãe. Consegui ver um sorriso de satisfação naquele rosto tão lindo.

Caminhar entre as rochas, subir e descer as pequenas encostas do morro, atravessar riachos, ao lado desse azulão sem fim, tudo isso aliado ao fato de estar junto com quem me deu a luz da vida, me fez perceber o quão valioso é poder estar vivo e compartilhar esse momento com ela. Já me perguntaram se eu conseguiria pensar em algo que não existe preço. Diria que trekkiar com minha mãe não tem preço...

Uma breve passada nas pinturas rupestres - breve porque a mulher tava quase chorando só de ver a dupla rocha e mar, imagina se ela visse o penhasco - e seguimos em direção a Praia da Silveira. Passamos direto na pedra do Galeão, sem chance de descer aquela ladeirinha. Maravilhados pela grandeza da natureza e comentando a semelhança do lugar com as Ilhas do Caribe, vencemos o costão Norte e chegamos na areia da praia. Depois de caminhar com pés descalços e com direito a presença de siris na areia, a guerreira, esgotada pelo Sol e pela jornada, a guerreira ainda teve que ir de a pé até o centro da cidade porque na rua da praia, não pega telefone pra pedir táxi...hahaha. No final deu tudo certo: chegamos bem e prontos pra próxima!